
Quando me alcanças
Na brevidade do tempo,
E pousas de cetins e ternuras
No meu corpo,
Me visto de tênue fantasia,
Teias, malhas, ossos de ouro,
E te faço meu,
Senhor das chamas
E do meu silêncio,
E das águas marulhadas em pranto
Onde adormeço.
Quando me alcanças
Nas alturas onde somos
Carne e desejo,
E me ofereces mãos,
E ânsias
Histórias de amantes
Embrulhadas em fios de sol,
Livro-me dos breus, das brumas
Pra onde fogem os meus olhos,
Antes do adeus.
Quando me chamas
E me cobres em seu linho branco
Bordado de esperança,
Tatuagens no meu dorso,
E me desdobras em luas e marés,
Debruço-me sobre o mármore de Paros
Das mesas, e dedilho poemas,
Plenos de segredos e de gozos.
E penso ser a lua,
A nave mãe dos astros,
Esculpida de emoções
No bronze sonante
E no alabastro.
E sou pouco mais que nada,
Refletindo imagens
Do meu desejo
Nas aguadas.