9 de março de 2011

POR ANAÏS NIN



Escrevo,
Respiro.
Escrevo tal a necessidade vital
Que a experiência traduz
Escrevo,
Preciso,
Tal como o mar precisa
Da tempestade
E o escuro
Da luz.
Reluz
O ouro da palavra
Na busca incessante
Do maravilhoso
Do infinito que toca
O espaço,
As coisas.
Dão-me febre
As palavras,
Iluminação,
Graça.´
E quando essa música
Para na minha cabeça,
Então remendo meias,
Colho frutos,
Mas, sinto
Que não vivo.



2 de março de 2011

TU, OCEANO



Não

Me importo mais

Que te demores

Se te sinto

Cada vez mais

Fado, destino.

Não desatino mais

Em madrugadas vermelhas

Em luar

De luas pálidas

Perfeitas

Se te tenho em cada istmo

De um desejo urgente.

Se o tempo vai

Machucando coração

Bocas

Veias

Abrindo rios

Torrentes

Cachoeiras

Que se vão desaguar

Na vastidão dessas águas

Onde habitamos

Eu, mulher do mar

Tu oceano.