11 de novembro de 2013




A CASA DO SENHOR DAS ÁGUAS


Não apresso a despedida
Não apresso o rio
Cultivo esse nó
Que se desata, eterno
E lento.

Lentamente cavalgando as luas
Delírio de astronauta
Coisas, gestos mínimos
Canto da boca
De onde recolho gota a gota
O sumo, a essência
Isso que não é lunar
E por ser movediço
E denso
Também não é terreno.

É onda
Quando se levanta
Arrebatando voraz
A fauna
A flora
A vida marinha
E se arrebenta praia
E se aquieta
Do seu próprio furor
Se se alimenta
Argonauta.

Domínios do mar
Onde resido
Onde a maresia
Chicoteia o vento
E lambe meus pés de areia
Passageiros.

Isso de que falo
Me arrebata
Avassala.
Se estende desmedido
Entre os mapas
Das  omoplatas
E faz do ventre
Um ninho de gaivotas
Isso de que falo
É marulhoso, infinito
Tenso.
E eu não desejo
Escapar da sua casa
Senhor das águas
Mar esplêndido.


Sandra Fonseca