
É aqui
Onde toco as palavras
Que sei de mim.
Alguma certeza,
A alma contra a luz
Do dia,
Os ossos, a carnadura.
A leveza do ouvido
Colado à brisa,
A canção que só a mim
Cabe silenciar.
E a boca pausada
Se movimenta
E articula a beleza
Secreta, sedenta,
O mistério da palavra.
Ouvi,
A poesia me canta
Por dentro
Como um pensamento
Como um coisa imorredoura,
Sangramento,
Sem causa,
E sem pausa,
Arrastamento.
É aqui
Que eu encho os meus olhos,
De absurdo
E de espanto,
É aqui que eu fecho os meu ouvidos,
E canto.
Sandra Fonseca