3 de junho de 2013


INCOMPLETUDE



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  Mãos de navalha
Eu vou
Cortando rumos
Cortando a noite
Em luas,
Eu vou a esmo

Por dentro
Dos vendavais
Dos sonhos
Enraizada ao medo
Mulher de carne
E bruma
Mal disfarçada, nua
Eu vou

Atada ao dorso
Desse corcel
Feito de fogo
E asas,
Por sobre o oceano
Inteiro
Por sobre as casas
Eu vou
Ao léu

Abrindo
Terras estranhas
De fendas, mágoas
Tamanhas
De mim,
Estrangeira
Levando
Dentro do peito
Um coração voraz
O filho bastardo
De um sonho
Incontinente
Fugaz

Devorador de ilusões

Eu vou me repartindo
Ao meio
Sou parte
Cheia de espanto
E outra parte
Desejo
Eu vou...



Sandra Fonseca