21 de fevereiro de 2012

TRAÇOS




Querer o mar ao largo do poente
Um barco a navegar, aberto o pano
Entre os azuis do céu e do oceano
E o vento a sussurrar dentro da mente.

São asas de gaivota na arrancada
Quando se elevam aos céus em mudo espanto
São patas de um corcel na atropelada
E as notas irisadas de um canto.

E o vento , o céu e o mar, a geografia
Desenham em meu papel, muda grafia
A letra da ilusão que eu mesma traço.

A vida é um poema comovido
Palavra por palavra em meu ouvido
E a ânsia de voar me aperta o passo.


Sandra Fonseca