14 de abril de 2013

COLADA À TUA LUZ




Como se fosses morrer
Me calo em sua boca
Sôfrega, te respiro
Vida
E te desenhas
Rictus, sorrisos
Nas maças do meu rosto
Vasculho de novo
Sôfrega, repito
Teu fundo poço
O lamaçal, o fosso
Onde me guardas
Das palavras
Colada a tua luz
Sou frágil
Inseto, transparente
Quase abjecta.
Insisto
Persigo os teus desertos
Faço do teu dorso
O meu atalho incerto
E atravesso a noite
Deslumbrada de medo.
A noite eterna e um sonho
meu precioso diamante
Colada à luz do dia
Espero amanhecer.



Sandra Fonseca