9 de julho de 2014

POESIA LÍQUIDA


Meu verso
Rompe veias, barreiras
Rio sem freios
Que me carrega
Sangra num fio
De água doce

Sangria louca
Que não se estanca
Palavra-lava
Que se derrama
Sem derradeiro
Ponto final

Meu verso
É vício
Ferida, carne viva
Renda e filigrana
É remendo às pressas
Veneno, promessa
Desengano

É mel na boca
Sorrindo, a louca
Sonhando a lua
Correndo nua
Desaba inteira
Feito tempestade
Sobre a cidade
Meu coração

Meu verso
É lenda, profanação
De almas e sonhos
A fina dama, tonta
Obscena
Úmida, lânguida
Poesia líquida




Sandra Fonseca