
Eu preparo
As madrugadas
O leito onde me deito
E me farto
E me deleito,
Oceano de mágoas
O branco,
Lívido lençol
Das palavras
Desenhadas a dedo,
O segredo
Sangrando, aberto.
Há um deserto
Composto à ermo
No corpo silenciado.
O reflexo dos gestos
Antigos,
Cenas recortadas,
Cuidadosamente,
À navalha.
Como um corpo
De águas se desfazendo,
Como um rio vai sangrando
Mar aberto ao peito,
Como os olhos cansados
De percorrer distâncias
E as mãos se fartam
Das ausências,
Pede prá dormir...
