27 de setembro de 2009





Cobrir de falso linho

A ilusão

A carne.

Desmedido

Sangra o coração

Estranhas gotas

Passionais da fantasia.



Carne

Poesia

O que é mesmo verdade?

Há vestígios de mim

Nesta arte

Alegoria

E culpas desenhadas

No meu corpo triste.



O rosto

Arde.

Um milharal incendiado

Descendo o tronco

Até a pluvial

Bacia.

E, no entanto, olhos ígneos

E palavras

Irisadas confidências

Num canto da boca

Falam.


Falácias

Cantos comovidos

O que minto

Desavisada

Fazedora de versos

Verborrágica

Inconsentida

Ávida.



Inexato e febril

Meu corpo poético

Que atravessas.



Sandra Fonseca