14 de julho de 2009

ISSO

É um poema
Essa trama de veias
Essa coisa de asas
E de apelos.
Um galope sem freios
Um camafeu
Comovido o meu retrato
Ao meio
Do vidro partido
Coração.

Me sei assim
Isso
Poeta
A espera de outras fomes
Cuido da espada
Atravessada ao meio
Da jugular
Assim é dor
E desespera
Mas, não sangra.

Isso
Poeta
Vigio o poço
Onde atiramos os desejos
E ainda persigo os sonhos
Como ovelhas fugidias
Num pasto de estrelas.

Sempre à noite
Quando as palavras
Se carregam mais
De tragicidades
urgências.
E, com alguma arte
E possível ouvir-lhes
(Das palavras)
O som.

Isso
É assim.
Um verbo no início
Um poema
No fim.