18 de julho de 2010

SETEMBRO





Sei do meu tempo
esse rosto breve e moço
as lavras arrastando sonhos
e os subterrâneos
da semente
preparando setembros.

Penso o verde rio
alisando o corpo
da mãe das águas
e os mares tingindo
em azuis os barcos
e as sereias.

A areia branca
de rendas e teias
enfeitada de conchas
e a chuva das pétalas
contornando o dia.

Penso setembro,
manhã de nostalgia,
setembro foi ontem,
setembro é uma esperança
pintada de branco.

Setembro não vem.

4 de julho de 2010

ÁGUA SOBRE A PELE




Jorra
A fonte alta
Sob a pele
Chuva
Chovem as luas
Fagulhas
Pontas de facas
Estrelas nuas

Suam
Melíferas espumas
Poros dilatados
Mergulham
Pontas de agulhas
Adentro
A alma
Despe-se
De seus vestidos de águas.
O corpo sucumbe
Íncubo tormento
Líquido
Sagrento
Seu branco leito
Navegante
Afoga-se
O sexo dormente.
Retorna
À fonte.