Escrevo, Respiro. Escrevo tal a necessidade vital Que a experiência traduz Escrevo, Preciso, Tal como o mar precisa Da tempestade E o escuro Da luz. Reluz O ouro da palavra Na busca incessante Do maravilhoso Do infinito que toca O espaço, As coisas. Dão-me febre As palavras, Iluminação, Graça.´ E quando essa música Para na minha cabeça, Então remendo meias, Colho frutos, Mas, sinto Que não vivo.
Tortuosos Os caminhos de dentro. Seguir a fantasia O horizonte sem alcance O intangível corre Com a ilusão. Há um cansaço No vidro dos olhos De tanto rodar aventuranças E filmes antigos.
Eu peço Licença de não sonhar Momento isento Entre o azul do céu E um negro tormento.
Tenho uma gaveta De papéis e estrelas roubadas. Eu tenho mil disfarces Para o mal de sonhar.
O silêncio fechado num leque De poemas Eu abro num rompante. Nele, eu silencio Paisagens Corpos Luas que nunca existiram. E a alma corre Seu caminho de dentro Lavra em seu delírio As pedras brutas Do sonho.
É aqui Onde toco as palavras Que sei de mim. Alguma certeza, A alma contra a luz Do dia, Os ossos, a carnadura. A leveza do ouvido Colado à brisa, A canção que só a mim Cabe silenciar. E a boca pausada Se movimenta E articula a beleza Secreta, sedenta, O mistério da palavra. Ouvi, A poesia me canta Por dentro Como um pensamento Como um coisa imorredoura, Sangramento, Sem causa, E sem pausa, Arrastamento. É aqui Que eu encho os meus olhos, De absurdo E de espanto, É aqui que eu fecho os meu ouvidos, E canto.
Jorra A fonte alta Sob a pele Chuva Chovem as luas Fagulhas Pontas de facas Estrelas nuas
Suam Melíferas espumas Poros dilatados Mergulham Pontas de agulhas Adentro A alma Despe-se De seus vestidos de águas. O corpo sucumbe Íncubo tormento Líquido Sagrento Seu branco leito Navegante Afoga-se O sexo dormente. Retorna À fonte.
Lançado pela editora Temas Originais, o livro da amiga Magda,“Vida na Internet” . Como grande leitora que é, Magda traça suas impressões sobre arealidade virtual que nos insere a todos।
Sinopse: “Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.
Magda Luna Pais nasceu em 1969 no Barreiro. É casada e mãe de dois filhos. Foi sempre uma leitora assídua, e nunca pensou em escrever até encontrar o site www.luso-poemas.net que veio alterar parte da sua vida. Deste site, onde exerce funções de moderadora, e do qual foi administradora, saíram novos amigos e ideias para este livro. Tem o seu próprio blogue http://stoneartportugal.blogspot.com, onde, para além dos seus textos, divulga textos de outros autores. Participou na Antologia Luso-poemas 2008, editado pela Edium Editores e na colectânea “A arte pela escrita”, editada pela ArtEscrita.
Durmo o sono injusto da espera e o sonho repetitivo de um outro dia. Sei agora o que sou sem lembrar quem mesmo era. um poema me tocou ao centro da fronte defronte a alma E me roubou noites tantas fontes dores que já não doem ardores que já não desassossegam em barcos que já não navegam.
O dia se iguala a noite e tudo equivale a nada o sol é lua apagada e sei que já não me lembro da alma antiga que tenho correndo por essa estrada.
a madrugada vai alta a lua de papel de seda jaz num charco atirada e eu, pensei num poema feito de luz e sombra de sutileza e rumor. Prá dizer que nunca sei se essa voz que canta é minha se é minha a que pranteia por fim se sou o que escrevo ou se escrevo o que sonho.
o que sei, eu sei do sonho e nem sei nada da vida se o que sei é o que suponho eu não sei nada de mim.
um coração histrião, uma flor despetalada boiando em rio sem fim. doida, a alma na proa da nau sem vela, a vida é terra é pura pedra e eu vejo o mar.