1 de fevereiro de 2009

GÓTICA



Se a faca

De repente se cravasse toda

Estremecendo a carne

Num estertor de ave

Abatida em vôo.

Se a vida não fosse

Essa flor ferida,

Pressupondo dor,

Fadiga,

Ardor de língua.

Um tempo inócuo

Se desenharia

No meu olho.

Um tempo cínico,

De desejos brancos.

Mas,

Eu não mais seria

Andarilha madrugada.

As pernas medidas

Em coturnos

E o vestido negro

Arrastando tules.

Gótica,

Plúmblea,

Imitando a vida.

Se ela não fosse

Descarada e ávida,

Fêmea,

Faminta,

Eu não acharia a graça,

Absurda,

Mítica,

A palavra estranha,

O grito possante,

Pulsante,

Poesia ।



Sandra Fonseca




BLOG DE OURO



Obrigada à Conceição Bernadino (http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/) E Magda (http://stoneartportugal.blogspot.com/) por esse prêmio.Prêmio de mulher para mulher que repasso aos seguintes blogues:


http://impulsosdalma.blogspot.com/
http://www.gpoetica.blogspot.com/
http://prosas-e-versos.blogspot.com/
http://noitedemel.blogs.sapo.pt/
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/
http://alinguagemdocaos.blogspot.com/

Para compartilhar...

11 de janeiro de 2009

A DONA DOIDA





A DONA DOIDA


Tenho é fome de alegria
Daquela escrita leve,
De uma poesia que me leve
Em suas asas.

Milênios de vontades
E de desejos insatisfeitos,
Na boca enorme do meu ventre
Em sua dança.

No compromisso de escrever,
Essa sina estranha,
Me recompor de letras
Viradas tantas vezes pelo avesso,
Em seu desenho.

Abandono as torres de um castelo
Imaginário,
Corro às tontas,
Só me dou conta de mim,
Em uma Adélia,
” A dona doida”.

PRÊMIO DARDOS





Este é o primeiro prêmio recebido pelo meu blog. Agradeço ao amigo "Outono" do blog: www.pretexto-classico.blogspot.com pelo respeito e generosidade com minha poesia, especialmente por compartilhar.
Muito obrigada!

“Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogger, emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”


Este prémio obedece a algumas regras:

1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação;
3) Escolher outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos.
Faço as minhas indicações entre muitos blog's que aprecio:

www.amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

www.celtiberio.blogspot.com

www.o-ente-do-ser.blogspot.com

www.marsonhos.blogspot.com

www.noitedemel.blogs.sapo.pt

www.nimbypolis.blogspot.com

www.osinodaaldeia.blogspot.com

www.prosas-e-versos.blogspot.com

www.stoneartportugal.blogspot.com

4 de janeiro de 2009

A MINHA ALMA PENSA QUE SOU TRISTE




Pensa que sou triste,
A minha alma.
Acredita até quando
O meu corpo
Explode em risos,
Minha alma pensa
Que sou santa.
E mesmo quando
O meu gesto
É lúdico,
Dança uterina,
Ela pensa
Que sou mansa.
Mesmo quando
Sob o rio lento
Das minhas palavras,
Reina absoluta,
A lava,
Incandescência.
Ela pensa
Que sou calma,
A minha alma pensa
Que sou boa.
Não sabe ela
Que, louca,
Eu deslizo na ponta
Da navalha,
O meu vestido
Bordado de esperança,
E tenho delírios,
Alucinados vôos.
A minha alma pensa
Que sou triste,
A minha alma.

31 de dezembro de 2008

TRATO COM A VIDA






Não serei
Presa das ilusões,
Passageiras,
Eternizando os desencantos,
Antes,
Farei do pranto
Canção
De embalar os novos ventos,
E anunciar um novo canto,
Disperso, ainda que
Longínquo, e no entanto,
Ainda meu.

Não deixarei
A angústia chegar aos olhos
E se derramar
Logrando vitória
Embaçando os sorrisos,
Antes, terei sempre
Um brilho de estrelas,
Um conto de luar,
Espreitando nalgum canto
Do olhar.

Em nada
Serei metade,
E que seja só por vaidade,
De sonhos tortos,
Frutos de um tanto
De loucura,
Serei inteira,
E antes,
Que me alcance
O futuro
E o futuro medo,
Prometo,
A mim mesmo,
Chegar cedo,
Junto com o primeiro raio de sol.

Embarcar todo dia
Nalgum balão,
Pintar das cores da poesia
A estrada dura que se erguer
À frente,
Sintonizada a alma,
À mente,
E bem plantados
Os pés no chão.

Sandra Fonseca


FELIZ ANO NOVO!

15 de dezembro de 2008

PÁSSARO






E assim
Que partias de mim
Eu te fazia mito.
O que do amor
Não revelaste
O que de mim
Foi se partindo,
O que de ti
Me aprisionaste.

Sem me tocar
Tateando abraços
E sem te encontrar
Me enredando aos poucos.
Tocando em mim
O sonho do teu braço
E o corpo
Que já era meu
Se desfazendo.

E em dedos
Tontos
Desenhando voos,
Fui contornando
Leve,
O dorso, as asas,
Te erguendo ao alto
como um semideus.
E num repente
Se desfez do laço,
Alçou um branco
E derradeiro adeus.

Sandra Fonseca

LANÇAMENTO DE LIVRO: LUSO-POEMAS 2008



Sob a chancela da Edium Editores foi lançado o livro “Antologia Luso-Poemas 2008”, uma compilação de diversos textos de vários autores, dentre os quais tenho a honra de fazer parte.

Lista de Poetas da Antologia da Luso-poemas 2008:



Alemtagus
Betha M Costa
Carla Costeira
Carlos Carpinteiro
Carlos Said
Carolina
Cleo
Conceição B
Daniela Pereira
Expanta
Flávio Silver
Fly
freudnãomorreu
Gilberto
Godi
Goretidias
Henrique Pedro
João Filipe Ferreira
João Videira Santos
José Torres
Júlio Saraiva
Karla Bardanza
Le Tab
Ledalge
Luís Ferreira
Margarete
Maria Sousa
Mel de Carvalho
Noite
Paulo Afonso Ramos
Pedra filosofal
Rosa Maria Anselmo
Sandra Fonseca
Tália
TrabisdeMenta
Tytta
Valdevinoxis
Vera Carvalho
Vera Silva


Vejam mais informações em

http://www.luso-poemas.net/modules/sm ... ction/
item.php?itemid=371

22 de novembro de 2008

BRICOLAGE





Desenho poemas
Ao pé dos altares abismais
Corro perigo
Despedaço-me,
Caio de alturas,
Só pelo gosto
Da dança das palavras
Bailando aves.

Refaço um piso
De pedras preciosas,
As promessas,
O cristal de luz
Que brilha,
Água,
Aquarela,
Se desfazendo,
Em líquidas mensagens.

E libertário,
Se esvai,
Meu pássaro,
Plumagem rara
De sentimentos que guardei.

Um mar que mora em mim.
Refaço um azul
Um sonho de anil,
Uma pluma,
Mancha de céu,
Gaivota.

Engenharia de barcos,
Posto a navegar
Um coração à boca.
Um corpo em chamas
A navegar,
Imagens recortadas
No horizonte.

Sou herdeira
Das palavras navegantes
Arca de “recuerdos”,
Meu mar distante,
De quilhas sem roteiros,
Meu corpo
É um barco marinheiro
Repleto de sonhos.

Sandra Fonseca

2 de novembro de 2008






Caros Amigos,

Junto vos envio o convite para o lançamento do livro de poesia "No princípio era o Sol", de Mel de Carvalho, pela Edium Editores, com prefácio de Júlio Saraiva, no próximo dia 8 de Novembro, pelas 16 horas, no Salão Nobre do Paço do Sobralinho (uma pequena vila entre Alverca e Vila Franca de Xira, na A1, sentido norte), assim como a capa do belíssimo livro.

O evento contará com a presença de diversas artes e com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e da Junta de Freguesia do Sobralinho.
Contamos com a Vossa presença e a Vossa preciosa divulgação.

Deixo-vos algumas breves notas sobre a autora, que terão o prazer de conhecer.



"É a poesia que desfaz o interdito e tece delicada renda sobre a própria pele, desnudada em cada poema, para os olhos de quem almeja alcançar a plenitude da poética na palavra, eis a chave!

Sandra Fonseca, psicóloga e poeta brasileira, in Luso-poemas.net, sobre a escrita de Mel de Carvalho"


Notas biográficas da autora:

Maria Amélia de Carvalho (Mel de Carvalho) nasce em Portugal, Lisboa, a 23 de Janeiro de 1961.
Licenciada em Sociologia do Trabalho na Universidade Técnica de Lisboa. Em 2007 inícia Doutoramento na Universidade Nova de Lisboa em Ciências da Educação.
A par da actividade profissional na área social e educativa, publica pela primeira vez os seus trabalhos (da poesia aos contos…) na Internet em 2006.
Em 2007, dá à estampa o seu 1º livro, "Sibilam Pedras na Encosta", Corpos Editora.
Do seu curriculum literário fazem parte várias participações em Colectâneas/Antologias, nomeadamente:
-Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea, Vol. XVI, "Poiesis", Ed. Minerva;
-Antologia Escritores Brasileiros - e Autores de países em Língua Portuguesa , 8ª Edição;
-Antologia Escritartes.
No prelo
- II Antologia de Poetas Lusófonos;
- Antologia Luso-Poemas;
Para além dos seus blogs, colabora com diversos sites de escrita, jornais e revistas, tendo no prelo um novo livro de poesia, "No princípio era o Sol", com lançamento em Nov. 2008, sob chancela da Edium Editores

Blogs da Autora:

www.noitedemel.blogs.sapo.pt
www.noitedemel.blogspot.com (prosa)
www.maresiademel.blogs.sapo.pt

EU VEJO UM ANJO







Eu sei que tu me rondas,
Mas não me tocas,
É que tens consistência
Volátil de anjo,
Mergulhas de asas úmidas
O orvalho e a bruma.

Há algo em ti
Que emana
Pecados santos,
Perfumados na mirra
Dos incensos,
Com que espalhas
Em vôo.

Eu te queria pedra,
Estátua e pluma,
Que a minha mão não adensa
O firmamento de ti,
E vives tão pouco,
Enquanto névoa,
E pétala desgarrada
Da flor real,
De mim...

E és imenso,
Quando num transe súbito,
Revela-te,
E eu te vejo...



19 de outubro de 2008

VERTIGENS



Traço paralelas

Entre a realidade

E os mistérios da fantasia.

Só me reconheço

Quando espio, fascinada,

O abismo.

Se, quando embriagada

De espumas, marés,

Luas cheias

Descubro a matriz

Dos sonhos,

E a poesia

Que habita os labirintos soberbos,

De estranhos.

È nas alturas

Onde os ventos

Me arrastam,

Me abraçam de dedos

Impossíveis,

O meu melhor compasso,

A minha dança de véus

Despudorada,

O meu poema ébrio

De luares.

Sou de lua,

Sou de vênia,

Sou mulher,

E meus rios sangram

Cheios de mistérios



Sandra Fonseca

1 de outubro de 2008

COLETÃNEA - ORGANIZAÇÃO ESCRITARTES






A Arte pela Escrita – Colectânea de Prosa e Poesia


São 37 autores, no total, oriundos do Minho ao Algarve, passando pelas regiões autónomas e pelo Brasil. Uma excelente montra do que se vai fazendo em língua portuguesa. Em prosa e em poesia. Nos mais diversos registos e estilos, mas sempre com o mesmo denominador comum: a qualidade.
Esta é também a prova de que o virtual e o real, neste caso a edição on.line (EscritArtes) e a tradicional publicação em livro (artEscrita Editora), não têm forçosamente que seguir caminhos divergentes. Completam-se e complementam-se.

Os autores:
Ana Jerónimo (pág. 7)
Às dez horas da manhã do quinto dia do segundo mês do terceiro ano da década de oitenta do século XX, Ana Jerónimo chora pela primeira vez. Com dezena e meia de anos, jura que será jardineira. Com dezasseis, ah! a arqueologia! Aos dezoito, o jornalismo é possível. Aos vinte, vai ser argumentista. Aos vinte e três, a ingenuidade dos vinte tem a sua graça. Aos vinte e cinco, quer o gerúndio do verbo ser.

Ana Maria Oliveira (pág. Cool
Ana Maria Rodrigues Oliveira vive em Cascais. Tem 48 anos de idade e é licenciada em filosofia. Uma das suas actividades preferidas, além da poesia, é a pintura. Ao longo da vida, intercalou a leccionação com períodos de dedicação exclusiva à família. Encara a poesia como um grito de liberdade vindo da profundidade de uma alma humana. A poesia é uma catarse necessária para uma mente que quer partilhar emoções.

Ana Marques (pág. 9)
Ana Marques, médica veterinária, nasceu em Abril de 1969, em Lisboa. Escreve por prazer desde os treze anos. Poesia e prosa. Iniciou a publicação dos seus textos em sites de escrita criativa em 2007.

António Murteira da Silva (pág. 10)
António Murteira da Silva nasceu em Lisboa, a 29 de Maio de 1973. Aos 14 anos, foi viver para S. Paulo, Brasil, onde além da escola frequentou o Conservatório. A sua grande paixão sempre foi a música. Em Fevereiro de 2003, ingressou na Rádio Algarve FM onde faz um programa semanal. Desde Janeiro de 2007, participa na área da cultura do Jornal Noticias da Manhã. Começou com a fotografia profissional em Abril de 2007; prefere fotografar concertos, peças de teatro e espectáculos.

Brito Ribeiro (pág. 11)
António José de Brito Ribeiro nasceu em 1957, em Vila Praia de Âncora, onde reside actualmente. Colabora com diversos órgãos de comunicação local e regional e tem dois blogs, “vilapraiadeancora.blogs.sapo.pt” e “rioancora.blogspot.com”. Em 2006, começou a escrever pequenos contos e crónicas, muitas delas inspiradas na vivência dos pescadores Ancorenses.

Carla Ribeiro (pág. 12)
Carla Ribeiro, estudante de Medicina Veterinária, nasceu em Portugal a 20 de Julho de 1986. Premiada em vários concursos literários, tem textos publicados em diversas antologias. Publicou, além disso, pela Corpos Editora, os livros “Estrela sem Norte”, “Alma de Fogo”, “Canto de Eternidade”, “Herdeiros de Arasen, vol. I”, “Herdeiros de Arasen, vol. II” e “O Deus Maldito”.

Carlos Soares (pág. 13)
Carlos Ricardo de Sousa Soares nasceu em Guilhufe, Penafiel, em 6/11/1957. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, é advogado desde 1986. Dedica-se à docência e ao estudo. A sua vocação é escrever. Tem três livros jurídicos editados pela Almedina, de Coimbra: Heranças & Partilhas, Rendas Livres e Condicionadas e Contrato-Promessa de Compra e Venda de Fracção Autónoma, com várias edições.

Celtibério (pág. 14)
Silvério Domingos do Carmo Calçada (Celtibério / O Verso Vicia) nasceu em 1953 e descobriu o prazer da escrita há cerca de 5 anos. Escreve sobretudo sob a forma de soneto pelo desafio que é contar uma história em apenas 14 versos. Não aceita o epíteto de poeta, preferindo o de “rimador”, mas sempre com preocupações de tónicas e métricas sobretudo nos decassílabos. Assina alguns trabalhos com o pseudónimo de Celtibério por causa do fascínio que sente pela cultura e música Celta.

Conceição Bernardino (pág. 15)
Técnica de Contabilidade, nascida a 1 de Fevereiro de 1969 na cidade do Porto. Amante da Escrita e das Artes. Adora ler, viver, diz que o sonho constrói-nos e arrebata em si essa beleza: “Alguém que vai eternizar a vida à sombra das árvores, aprendendo a ouvir os que sofrem nos murmúrios das fontes”

David Gomes (pág. 16)
David Miguel Martins Gomes nasceu há 20 anos, no Porto. Actualmente, reside em Cárquere, Resende. Possui o 12º ano de escolaridade e deverá ingressar no ensino superior. Descobriu a poesia numa viagem para o Porto.

Deolinda Reis (pág. 17)
Deolinda Fernanda Pereira dos Reis nasceu em Rio Tinto, a 7 de Setembro de 1964. Possui o curso de Professora do 1º Ciclo. Desde cedo se sentiu fascinada pelo mundo das palavras, quer no campo literário quer no campo da escrita. Colaborou em inúmeros jornais escolares, tendo publicado trabalhos no “Jornal de Notícias” e no “Povo de Rio Tinto”. Publicou, em 2007, No Silêncio das Palavras (artEscrita) e, em 2008, Triângulos Poéticos 1 (artEscrita, co-autora).

Dionísio Dinis (pág. 18)
Dionísio Dinis, nome das escritas de Manuel Antunes Cardoso, leitor assíduo desde os onze de idade, talvez um razoável leitor, quem dera que daqui a muitos anos possa escrever algo que possa ser lido sem enfado! Podem-no encontrar nas escritas virtuais – sempre em produção reduzida - onde está desde Março de 2006, altura em que pensou gatafunhar umas espécies de poemas. “Aquém me leu e/ou lerá, o meu obrigado pela gentileza e paciência demonstradas!”

Dite Apolinário (pág. 19)
Maria Fernanda Apolinário nasce em Picote, a 10 de Outubro de 1956. Adopta o nome familiar de Dite. Realiza o Bacharelato em Enfermagem, profissão que abraça desde 1978, no Hospital Curry Cabral. Em 2006, é incentivada pela poetisa Mavilde Lobo Costa, na revelação da sua escrita, pelos vários sites e Tertúlia Rio de Prata. É moderadora geral do site EscritArtes, desde a sua feliz constituição. Elogia os vários locais de afectos e de memórias de pele.

Elvira Santos (pág. 20)
Natural de Gouvães do Douro, freguesia que desce pelos socalcos vinhateiros do Douro, no concelho de Sabrosa (Torga também viu aqui o mesmo céu), Elvira Santos cedo começou a colher poesia nas linhas da paisagem enorme desfolhada perante seus olhos e dos livros que vinham à mão. Depois, a vida ora lhe trouxe mais ora lha tirou. Finalmente, conquistada a paz e segurança da estátua que já não cai, desenrola da memória (e da gaveta) um rolo de poemas que compõem Era Agosto e Chovia (2007), obra de estreia da poetisa, que vem a frutificar na co-autoria deTriângulos Poéticos II, artEscrita.

Gonçalo Coelho (pág. 21)
Nasceu em 1978. Residiu nas cidades de Lisboa e Porto, Brighton, São Bento do Sul e Curitiba, no Brasil. Estas experiências preenchem o seu espaço literário caracterizado pela diversidade cultural e pela vontade de proporcionar perspectivas e facetas diferentes daquelas mais frequentemente veiculadas sobre o mundo em que vivemos. Já colaborou com o Primeiro de Janeiro e com o Expresso. www.goncalocoelho.com

Goreti Dias (pág. 22)
Maria Goreti Andrade Carneiro Dias nasceu a 30 de Janeiro de 1958, em Santo Tirso. Aí fez os seus primeiros estudos até à altura de rumar a cidade maior, Porto, onde frequentou instituições de Ensino Superior. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade do Porto, exerce funções docentes na terra que a viu nascer. Amante das letras desde que se conhece, agradece aos seus próprios professores o incentivo que fez dela o que é hoje. Viaja invariavelmente pela Net onde passeia as suas letras… No seu blog, em sites de literatura … um pouco por todo o lado…
Henrique Monteiro (pág. 23)
Henrique Monteiro nasceu no Porto. É licenciado em História e Mestre em História Contemporânea, pela FLUP, onde é investigador do Centro de Estudos de População, Economia e Sociedade. Desenvolve, paralelamente, actividade docente, na Escola Secundária de Gondomar. É co-autor da Breve Monografia da Escola Secundária de Gondomar, vol. II, Edições Asa, 1989 e da Colectânea de História (10º e 11º anos), Livraria Cruz, Braga, 1981. Publicou, em Setembro de 2007, Rio Sem Viagem e, em 2008, Triângulos Poéticos II (co-autor), pela artEscrita.

João Carlos Brito (pág. 24)
João Carlos Brito nasceu a 2 de Novembro de 1966, no Porto; licenciado em Português-Francês, na Universidade de Aveiro. É professor do Ensino Secundário, jornalista, formador e editor. Obteve algumas distinções em concursos literários nacionais e internacionais, na modalidade de conto, tendo textos publicados em diversas colectâneas de contos, boletins periódicos e na imprensa. Editou 24 horas, (grafigondomar, 2002), Cinco Enterros do João (Arca das Letras, 2006, co-autor) e Paraíso à Chuva (artEscrita, 2007).

Jorge Vieira Cardoso (pág. 25)
Natural da Cidade da Lixa, 45 anos de idade, comerciante e colaborador do Jornal Da Lixa. Publicou o primeiro livro de poesia a 19 de Abril de 2008, “Nas Linhas Das Tuas Mãos”, com chancela da editorial negra tinta; entretanto, pensa editar um romance, em 2009.

José António (pág. 26)
José António Pinto nasceu no Porto, em 31/01/54. Profissional na área da gestão. Começou a publicar no JN em 1973 e está incluído em três Antologias Contemporâneas de Poesia. Galardoado como autor dramático, já representou como actor amador. Expôs pintura e desenho em Lisboa e Porto. Publicou em Fev.2006 “Ecos do Suão“ romance - Papiro Editora e em Jan.2008 “Momentos de Insónia” – poesia - artEscrita.

José Porvinho (pág. 27)
Pseudónimo de José Pais, nascido em Grada, Anadia em 1964; tirou Eng.ª Florestal em Vila Real (UTAD) e é ainda técnico de desenvolvimento, guia da natureza, jardineiro, vice-presidente da Lousitânea (Liga de Amigos da Serra da Lousã), praticante de atletismo e um curioso a tempo inteiro. Tem colaborado ao longo de vários anos em diversa imprensa escrita regional e pontualmente em algumas publicações nacionais. Vive e trabalha em Castanheira de Pêra. Tem um livro publicado (2008): “INCONFIDÊNCIAS E...”, artEscrita.

Laura Gil (pág. 28)
Laura Mariana Gil nasceu em Bragança, em 1958. É Técnica de Biblioteca e Documentação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Gosta de Pintura e de escrever. Participa em alguns sites de poesia.

Liliana Maciel (pág. 29)
Liliana Maciel nasceu a 12 de Abril de 1959, no Funchal; casada, mãe de duas filhas e enfermeira de profissão. Não se considera uma poetisa, mas tenta transcrever para o papel o que a sua alma sente. Colabora no escritArtes desde 18 de Outubro de 2007.

Luís Ferreira (pág. 30)
Luís Ferreira nasceu no Barreiro a 8 de Maio de 1970, onde ainda vive. Publica em diversos sites ligados à escrita e às artes em particular no seu blogue pessoal – Mar de Sonhos – http://marsonhos.blogspot.com. Publicou dois livros de poesia – Novembro de 2007 – “Mar de Sonhos” a sua primeira obra poética, e em Maio de 2008 – “Rio de Sal”.

Magda Pais (pág. 31)
Magda Pais (pseudónimo: Pedra Filosofal) nasceu em 1969, no Barreiro. É casada e tem dois filhos. A leitura é o seu passatempo preferido, sendo que apenas se começou a aventurar na escrita em Dezembro de 2007. Hoje publica os seus textos em dois sites de literatura e mantêm o blogue http://stoneartportugal.blogspot.com onde dá a conhecer os seus trabalhos, bem como os de outros autores, consagrados ou não.

Marco Pinto C. (pág. 32)
Marco Pinto Correia nasce em Lisboa no ano de 1970. As suas primeiras publicações são letras para canções da banda V12. Posteriormente entra no obscurantismo da classe média em procura de uma vida decente. O silêncio prevalece até que ao momento em que começa a publicar os seus textos no mundo virtual tendo recebido menções honrosas de importantes portais nacionais de literatura.

Maria de Lurdes Dias (pág. 33)
Utiliza o pseudónimo de Cleo. Nasceu a 27 de Maio de 1965, em Lisboa. Despertou para a poesia apenas no ano de 2005, altura em que escreveu os primeiros poemas e os publicou num blog ao qual deu o nome de ECOS. Mais tarde, conheceu alguns sites onde se registou e onde passou a partilhar do mesmo gosto de tanta gente, que admira e estima, sempre de mãos dadas com a poesia...

Mel de Carvalho (pág. 34)
Maria Amélia de Carvalho (Mel de Carvalho) nasce em Portugal, Lisboa, a 23 de Janeiro de 1961. Licenciada em Sociologia do Trabalho na Universidade Técnica de Lisboa, prossegue actualmente Doutoramento na Universidade Nova de Lisboa. Publica pela primeira vez os seus trabalhos (da poesia aos contos…) na Internet em 2006. Em 2007, publica “Sibilam Pedras na Encosta”, Corpos Editora. Em Junho de 2008, integra a Antologia de Poesia e Prosa Poética Portuguesa Contemporânea, Vol. XVI, “Poiesis”, Ed. Minerva; integrará brevemente a Antologia Escritores Brasileiros - e Autores de países em Língua Portuguesa - 8ª Edição bem como a Antologia Luso-Poemas Para além dos seus blogs, colabora com diversos sites de escrita, jornais e revistas, tendo no prelo um novo livro de poesia, “No princípio era o Sol”, com lançamento previsto igualmente em 2008, sob chancela da Edium, Editores.

Paulo Melo Lopes (pág. 35)
Paulo Melo Lopes identifica-se como damasco quando faz login em www.escritartes.com. Nasceu em 1973, em Coimbra, e reside actualmente em Vila Nova de Gaia. É licenciado em Psicologia pela Universidade de Coimbra e pós-graduado em Consulta Psicológica e Psicoterapia. Exerce actividade profissional nas áreas da formação e da psicoterapia.

Pedro Ventura (pág. 36)
Pedro Ventura nasceu no Barreiro, em 1975. No ano de 1997, com algum atrevimento, e influenciado pela leitura, começou a escrevinhar alguns textos. Em 2006 e 2007, é premiado com o conto “Raízes” em dois concursos literários: 1º Prémio de Conto Livre - XXVI Jogos Florais do Algarve 2006 e 2º Prémio da 8.ª Edição do Concurso Literário Dr. João Isabel 2007 - C. M. de Manteigas. Para além da escrita, dedica-se também ao seu projecto musical.

Rosa Maria Anselmo (pág. 37)
Rosa Maria Anselmo nasceu no dia 29 de Julho de 1958, na cidade do Porto. Com apenas um ano de idade, parte com os seus pais e irmão para Moçambique. Regressa a Portugal em 1976 e, em 1989, já casada e com dois filhos, parte para Macau. Reside actualmente em Mindelo. Inicia o gosto pela escrita muito jovem, ainda nos bancos do Liceu, mas é já adulta que dá asas à criação de poemas. A escrita, a poesia, é para Rosa Maria uma forma de abraçar emoções... Em 2003, edita o seu primeiro livro “Diferentes Momentos”, pela editora “In-Libris” na sua colecção Princeps. Em 2007 faz parte da antologia “Luso-Poemas (2006)”, da Corpos Editora. Em Junho de 2008, edita o seu segundo livro “Sinais do Silêncio” com a chancela da Papiro Editora.

Sandra Fonseca (pág. 38)
SANDRA MARIA BATISTA FONSECA – Brasileira, 47 anos, reside em Belo Horizonte, Minas Gerais. Formada em Psicologia pela Universidade Fumec, especialista em Hipnose Eriksoriana, trabalha atualmente como psicoterapeuta e Psicóloga Social do Centro de Referência Especializado em Assistência Social da cidade de Nova Lima. Participa, além do Escritartes,de alguns sites de literatura na Internet.Participou da Antologia Escritores Brasileiros e Autores em Língua Brasileira - Editora RB. Classificada com o soneto “Meu desejo” no concurso de poesia da Universidade Federal de São João Del Rei – Inverno cultural, edição 2008, compondo a antologia do concurso.

Tim James Booth (pág. 39)
Tim James Booth é o pseudónimo de Tiago Sousa Garcia, nascido em Matosinhos em 1988, portuense por vocação. Após uma incursão pela informática, decide dedicar a vida e talento, se o tem, à sua paixão de sempre: a escrita. Neste momento, frequenta o curso de Línguas, Literaturas e Culturas pela FLUP. Os seus escritos encontram-se um pouco por toda a net, especialmente no seu blog e no EscritArtes.

Vanda Paz (pág. 40)
Vanda Paz nasceu em Janeiro de 1970, em Lisboa. É enóloga e vive numa pequena aldeia (Pereiro) perto de Anadia. A sua paixão pela poesia começou ainda era uma menina da primária, tendo escrito o primeiro poema quando tinha 14 anos. A poesia faz parte de si, é o seu equilíbrio com a vida. Participou, em 2008, com dois textos na Antologia da Associação Portuguesa de Poetas “A Nossa Antologia” XIV Volume 2007/2008. Associação da qual faz parte.

Vítor Burity da Silva (pág. 41)
Vítor Manuel Amaro Burity da Silva nasceu na cidade de Nova Lisboa, Angola, a 28 de Dezembro de 1961. Frequentou e completou o 12º ano. Vive em Lisboa desde 1975, tendo saído de Angola por altura da descolonização. Publicou em jornais e revistas, de 1982 a 1987, tendo participado e sido premiado em jogos florais na área da prosa poética; entre 1985 e 1986, foi redactor coordenador no jornal do exército, Sentinela, onde prestou serviço militar. Publicou, em 2008, Rua dos Anjos, pela artEscrita.

Vóny Ferreira (pág. 42)
Vóny Ferreira, pseudónimo de Mª Ivone B. S. Ferreira. Nasceu em Coimbra a 17 de Fevereiro de 1956; reside há 25 anos em Leiria. Em Outubro de 2007, foi publicado o seu primeiro romance “As sombras da Infância”, pela editora Lusociência.

Xavier Zarco (pág. 43)
Xavier Zarco – pseudónimo de Pedro Baptista (Coimbra, 1968). Tem vinte e um títulos publicados e diversas distinções das quais se destacam: Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá, em 2004 e 2007; Prémio de Poesia Manuel Maria Barbosa du Bocage, em 2005, Prémio de Poesia Raúl de Carvalho, em 2005 e Prémio Literário da Lusofonia, em 2007.

17 de setembro de 2008

LANÇAMENTO: LIVRO DIGITAL



SACIEDADE DOS POETAS VIVOS
DIGITAL - VOL. 7
Convido-os a ler o 7º volume de SACIEDADE DOS POETAS VIVOS, um projeto incrível do site www.blocosonline.com.br e do qual tenho o prazer de fazer parte.
PREFÁCIO
A Saciedade dos Poetas Vivos Digital nº 7 aborda "Intimidades": amorosas, amigas, cúmplices, solitárias, reflexivas, amorosas. Como escreveu Martha Medeiros, uma de nossas convidadas da Antologia passada, "Intimidade é você não precisar verbalizar tudo o que pensa, é aceitar a solidão do outro, é estarem familiarizados com o silêncio de cada um. Intimidade é não precisar estar linda em todos os momentos, não precisar ser coerente em todas as atitudes, é rirem juntos de uma história que só eles conhecem o final". Momentos íntimos com gente, com livros – as obras de cabeceira –, com a natureza ou com animais de estimação. Intimidade com a palavra escrita, com o silêncio do papel em branco, com a fala do gesto.
O e-laborar e a construção da intimidade estão presentes nos dezessete poetas deste volume, de forma mais sutil e indireta, ou de forma mais visivel e declarada: Carlos Seabra, com seu olhar minimal e abissal do mundo; Débora Bueno, com sua textura delicada; Jania Souza, com seu vôo existencial; Janice Mansur, com seu lirismo inquieto; João Nilo com suas singulares percepções; Leninha com sua desafetação cativante; Mônica Banderas, com sua poesia em forma de blog-diário; Sandra Fonseca, cuja poesia nos lembra blues-baladas; Sandra Souza, com um estilo incisivo e claro; Silvio Olivio, com seu texto de efeitos impactantes; Soninha Porto, com seu lirismo agridoce; Thaty Marcondes, com sua intensa passionalidade; Vera Casa Nova, com seus afetivos abraços – dados e não dados; Xenïa Antunes, com sua lírica desconcertante e rebelde.
Na presente edição trazemos três convidados muito queridos e especiais: Alice Ruiz, uma das maiores haicaistas brasileiras, exímia em captar a alma das coisas e dos momentos fugidios; Ulisses Tavares, humorado, ferino e extremamente crítico, como poucos poetas o são atualmente; e Mauricio Gonçalves – bela surpresa para quem só o conhece até agora como ator –, cuja poesia, repleta de referenciais e teatralidade, oferece um verdadeiro banquete de sofisticados sabores.
A intimidade, para além da busca pela aproximação, é também internidade, e revela-se no trato íntimo do ser com ele próprio, em toda a gama de possibilidades reflexivas que afloram e desabrocham em seu interior. Neste sentido, podemos entender tal internalização como substância-essência de um entre, de uma relação envolvendo alguém e o outro ou alguém e a coisa observada, e até, em horizonte muito mais amplo, um entrelugar tenso por estar compreendido entre a finitude da vida e a infinitude da morte, como tão bem divisa Joaquim Cardozo em seu poema "O Um e sua intimidade", do qual reproduzimos fragmentos e com o qual finalizamos esta nossa introdução:
No Um está o ser isolado e está o Universo. Não é naquele ser, porém, nem neste Todo Onde reside a sua intimidade. (...)A sua intimidade é a infinita singularidade Do só, a infinitude da concentração do ser (...) A intimidade do Um está no valor da função Que na sua origem, num breve, infinitamente instante, liturgicamente Oscila eternamente entre + 1 e – 1. Entre os dois, no entanto, não há tempo zero – A intimidade do Um está no ponto antesdepois Do teu prazer, Mulher!Está no ponto AntesDepois da Morte.

Urhacy Faustino e Leila MíccolisEDITORESLançamento oficial: 17 de setembro de 2008
Créditos:
Capa: Vande Rotta GomideTítulo: Eduardo Feijó Netto MachadoSeleção de textos: Leila MíccolisWebmaster: Urhacy Faustino

1 de agosto de 2008

ADÁGIO PARA DEZ VIOLINOS MARINHOS E UMA GUITARRA DE SAL*


* Inspirado em “Concerto grosso per I New Troll” – Track 03 -



Paisagem de portos em ruínas, a realeza
Da sombra de um navio, um mar imenso,
Sem pontos marcados, sem farol
Que não seja a luz de uma vela acesa.

Um homem ao mar, uma mulher-sereia
O cântico monótono dos cascos nas ondas
O apelo sem rumo das estrelas
Canção inútil de acordar os deuses.

Netuno escondido na trilha dos espelhos
De mapas perdidos, de infinitas águas,
A dor nos espaços cortados em cem luas
E o grito demente das flautas no vento.

Mar e lua e as sombras nuas a se desmanchar
Os corpos como peixes nas espumas
Os olhos imersos em sal e poesia
As costas lanhadas nos beirais de areia.

O amor urgente riscado em outro mapa
Fora dos círculos ideais, fora das órbitas
Dos astros magistrais e dos seus reinos
As almas navegando a mesma rota.

E os olhos do oceano, as vistas grossas
Vertendo águas eternas, o inumerável momento
E as línguas como loucas desejando a fonte
E o barco do desejo desafiando as ondas.

As mãos, escamas, suas asas e caudas
Reconstruindo a arquitetura dos sonhos
Os gestos na tempestade repartidos
Em todos os abraços às portas da loucura.


Cessou a tempestade não tarda a aurora
Em seus cristais de azuis abrindo os céus
Os vultos transparentes se unem à paisagem
O sol invade os espaços como um portento.

Em toda a extensão da praia há poemas de amor
Escritos à dedo, as letras desconexas,
Canções profanas espalhadas entre vestes
De linhos e algas brilhando em arabescos.

Sandra Fonseca

13 de julho de 2008

PORTO ABRIGO



Recebe a minha alma navegante
Cansada de vagar de sonho em sonho
E o corpo a levitar tão delirante
Lançado a um mar imenso que suponho.

Um corpo de mulher, um barco à vela
No ardor de atravessar dias e noites
Em nau de insensatez, a caravela,
Alheia aos ventos maus, aos seus açoites

Se nada além dos mares me importa
Senão as tuas mãos abrindo a porta
No abraço sem igual de um cais amigo

Que sejas um farol, a luz mais forte,
Brilhando além do mal, estrela e sorte,
Pra ser depois do mar meu porto abrigo.


Sandra Fonseca

27 de junho de 2008

SEMBLANT


óleo de Teresinha Canini (a Tenini)



Como quem parte
Permaneço,
Como quem esquece
Adormeço.
Escrevo delicadezas
Enquanto mordo
A raiva e o gozo
Da palavra.

Amanheço insone
Enquanto dorme
O meu sonho.
A minha alegria
É essa fantasia bizarra.

Como quem sabe
Desconheço,
Como quem erra
Tropeço.
Eu trago uma cicatriz
Risonha.

Anoiteço a vigília,
Faço das tripas, coração,
Eu danço um tango
No arame das minhas ilusões.

Vou partejando
O meu cortejo de desejos
Mal disfarçados de mágoas,
Enquanto a noite dorme,
E sou a lua
Cavalgando o ouro
De um cometa.


Sandra Fonseca








15 de junho de 2008

FILME DE GUERRA II

Oleo sobre tabla y collage de papel de aluminio
Medidas: 70 x 50 cm
Autor
:JESUS CANOVAS JUSTO *


Para o menino Africano...


Se tu soubesses

Menino esquecido

Que eu não te esqueço

E faço por ti

Uma oração.

Peço aos anjos-meninos

Que te protejam

Da solidão.

Se eu pudesse

Menino triste

Inaugurava

O teu sorriso

Que há de ser

Tão bonito

Quanto o ébano

Da tua pele.

Sem que pedisses

Menino lindo

Eu embalava-te

Em minhas mãos

Dava-te um seio

Alimentava-te

Acarinhava-te

Nessa canção:

“Dorme menino

Do meu coração,

Dorme anjo,

Mamãe vai te ninar...”

Se eu conseguisse

Menino-dor

A ti chegar

Antes da sorte

Abrir suas asas

Estranha e forte

Ao teu redor.

Eu lutaria

Te protegia,

Se precisasse

Até a morte...



Sandra Fonseca




*Artista de BARCELONA, CATALUNYA, que encontrei neste maravilhoso blog:

www.jesus-creaciones.blogspot.com

Gracias por el permiso.


Duerme negrito- Mercedes Sosa - Mama Tinc Gana

8 de junho de 2008

UM ANJO, UM PROMETEU, UM PIRILAMPO



Minha alma anda trôpega
Como quem conta as horas
Nos patas dos cavalos
Que correm com a lua
A viúva dos dias,
A louca do vestido branco
Aquela que borda de estrelas
A sua cauda de espantos.

Minha alma anda sôfrega,
Como quem organiza
A noite dos prantos,
A fila das carpideiras
E seus xales de breu
E seus tules de pranto.

Minha alma anda tonta,
Pisando no avesso do céu,
Despindo pássaros noturnos,
Cobrindo o dorso dos fantasmas,
Roubando a luz aos anjos,
Fogo de um Prometeu,
Néon de pirilampos.

Minha alma anda surda
Buscando as conchas,
Aquelas que jorram pérolas,
D suas feridas.
Os sons de algum fauno,
Um alaúde,
Trompa sagrada de sereia,
A vaga poderosa e feroz,
Onda milenar.

Minha alma anda nua,
Na ânsia de encontrar
Nalgum recôndito,
Além e a mais
Dessa minha dor,
Angústia de ser mortal,
O milagre dolorido
De um poema.

29 de maio de 2008

O PERFUME

Meus versos por aí cortando espaços

Perdidos como aves sem um ninho

Buscando no calor dos teus abraços

Um pouco mais de luz no meu caminho.



São barcos no oceano sem um prumo

Minh’asas de voar por sobre as águas

Que os ventos da saudade dão o rumo

No meio desse mar de tantas mágoas.



Palavras na corrente, maresia,

Sabores e aromas da poesia

Levando pelo ar o meu perfume



Na ânsia de buscar a cada instante

Que seja magoado, delirante,

O fogo desse olhar que atiça o lume.


Sandra Fonseca