


LUGAR AOS OUTROS 105
Poesia de uma poetisa brasileira: Sandra Fonseca.
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É como um grande amor que nunca finda
Metades de ternura e desafio
A vida, uma grande festa por um fio
Correndo em teu olhar criança ainda.
Ventura é tua vida que começa
Certeza, o meu amor que te garante
Fazer do teu sorriso, esse instante
Impresso em minha vida qual promessa
A minha flor- de-maio, flor-menina
Há de viver num sonho a sua sina
Há de brilhar estrela de grandeza
Igual ou bem maior que o próprio sol
Um anjo ao teu redor como um farol
Protege a tua luz, tua beleza.
Feliz aniversário, Tita.
Mamãe ama!
11/05/09
A autora Conceição Bernardino e a Editora Mosaico de Palavras, têm a honra de convidar V.Exas. a estar presente na sessão de lançamento do livro “Linhas Incertas”, que terá lugar no próximo dia 30 de Maio, pelas 15.00 horas, na Casa Museu Teixeira Lopes, na Rua Teixeira Lopes, 32 – V.N.G (perto da Câmara de Gaia).

Eu preparo
As madrugadas
O leito onde me deito
E me farto
E me deleito,
Oceano de mágoas
O branco,
Lívido lençol
Das palavras
Desenhadas a dedo,
O segredo
Sangrando, aberto.
Há um deserto
Composto à ermo
No corpo silenciado.
O reflexo dos gestos
Antigos,
Cenas recortadas,
Cuidadosamente,
À navalha.
Como um corpo
De águas se desfazendo,
Como um rio vai sangrando
Mar aberto ao peito,
Como os olhos cansados
De percorrer distâncias
E as mãos se fartam
Das ausências,
Pede prá dormir...

Não apresso a despedida,
Não apresso o rio,
Cultivo esse nó
Que se desata, eterno,
Lento.
Lentamente cavalgando as luas
Delírio de astronauta.
Coisas, gestos mínimos,
Canto da boca,
De onde recolho gota- a- gota
O sumo, a essência.
Isso que não é lunar
E por ser movediço
E denso,
Também não é terreno.
É onda
Quando se alevanta
Arrebatando voraz
A fauna,
A flora,
A vida marinha,
E se arrebenta praia
E se aquieta
Do seu próprio furor
Se se alimenta,
Argonauta.
Domínios do mar,
Onde resido.
Onde a maresia
Chicoteia o vento
E lambe meus pés de areia,
Passageiros.
Isso de que falo
Me arrebata,
Avassala.
Se estende desmedido
Entre os mapas,
As omoplatas,
E faz do ventre
Um ninho de gaivotas.
Isso de que falo
É marulhoso, infinito,
Tenso.
E eu não desejo
Escapar da sua casa
Senhor das águas,
Mar esplêndido
Sandra Fonseca
A noite é um negro olhar e se avizinha
Perscruta com prazer minha agonia
Perdeu seu toque azul, a fantasia
Apressa-se em saber que estou sozinha
Furtiva, sem que eu saiba, me enlaça,
Seus braços como aço em meu redor
Derrama em minha boca a sua dor
A noite é caçadora e eu sou a caça
Eu fujo, piso estrelas, distraída
Quero sair de onde não há saída
E o frio corta os ares como espada
A minha alma se enche de esperança
Eu guardo com ternura uma lembrança
De um sol dourado em plena madrugada
Sandra Fonseca
Se a faca
De repente se cravasse toda
Estremecendo a carne
Num estertor de ave
Abatida em vôo.
Se a vida não fosse
Essa flor ferida,
Pressupondo dor,
Fadiga,
Ardor de língua.
Um tempo inócuo
Se desenharia
No meu olho.
Um tempo cínico,
De desejos brancos.
Mas,
Eu não mais seria
Andarilha madrugada.
As pernas medidas
Em coturnos
E o vestido negro
Arrastando tules.
Gótica,
Plúmblea,
Imitando a vida.
Se ela não fosse
Descarada e ávida,
Fêmea,
Faminta,
Eu não acharia a graça,
Absurda,
Mítica,
A palavra estranha,
O grito possante,
Pulsante,
Poesia ।
Sandra Fonseca









