27 de setembro de 2009





Cobrir de falso linho

A ilusão

A carne.

Desmedido

Sangra o coração

Estranhas gotas

Passionais da fantasia.



Carne

Poesia

O que é mesmo verdade?

Há vestígios de mim

Nesta arte

Alegoria

E culpas desenhadas

No meu corpo triste.



O rosto

Arde.

Um milharal incendiado

Descendo o tronco

Até a pluvial

Bacia.

E, no entanto, olhos ígneos

E palavras

Irisadas confidências

Num canto da boca

Falam.


Falácias

Cantos comovidos

O que minto

Desavisada

Fazedora de versos

Verborrágica

Inconsentida

Ávida.



Inexato e febril

Meu corpo poético

Que atravessas.



Sandra Fonseca

14 de julho de 2009

ISSO

É um poema
Essa trama de veias
Essa coisa de asas
E de apelos.
Um galope sem freios
Um camafeu
Comovido o meu retrato
Ao meio
Do vidro partido
Coração.

Me sei assim
Isso
Poeta
A espera de outras fomes
Cuido da espada
Atravessada ao meio
Da jugular
Assim é dor
E desespera
Mas, não sangra.

Isso
Poeta
Vigio o poço
Onde atiramos os desejos
E ainda persigo os sonhos
Como ovelhas fugidias
Num pasto de estrelas.

Sempre à noite
Quando as palavras
Se carregam mais
De tragicidades
urgências.
E, com alguma arte
E possível ouvir-lhes
(Das palavras)
O som.

Isso
É assim.
Um verbo no início
Um poema
No fim.

3 de junho de 2009

24 de maio de 2009

DESIDERATA



Maldisse
O meu resquício de asas
A voz interior
Das mágoas
Que precipitam em mim
Essas canções.

Tantas vezes tentei morrer
Um tiro certeiro
No pé da minha palavra
Acerta o coração
Acende a solidão
Milhões de olhos-holofotes
Apontam
A mesma direção.

Despida a flor de bem-querer,
Secada a fonte
Nada demove
A força do verso
Que invade.
Chegado ao fim
Volta ao início
Uma chave na mão
E um baú de sentimentos.

Um fogo primitivo
No côncavo do gesto
E a espera infinita
Do homem da noite.


Sandra Fonseca

11 de maio de 2009

THALITA


É como um grande amor que nunca finda

Metades de ternura e desafio

A vida, uma grande festa por um fio

Correndo em teu olhar criança ainda.


Ventura é tua vida que começa

Certeza, o meu amor que te garante

Fazer do teu sorriso, esse instante

Impresso em minha vida qual promessa


A minha flor- de-maio, flor-menina

Há de viver num sonho a sua sina

Há de brilhar estrela de grandeza


Igual ou bem maior que o próprio sol

Um anjo ao teu redor como um farol

Protege a tua luz, tua beleza.



Feliz aniversário, Tita.

Mamãe ama!

11/05/09


10 de maio de 2009

CONCEIÇÃO B. E SEU NOVO LIVRO

A autora Conceição Bernardino e a Editora Mosaico de Palavras, têm a honra de convidar V.Exas. a estar presente na sessão de lançamento do livro “Linhas Incertas”, que terá lugar no próximo dia 30 de Maio, pelas 15.00 horas, na Casa Museu Teixeira Lopes, na Rua Teixeira Lopes, 32 – V.N.G (perto da Câmara de Gaia).

Prefaciado pela Doutora Goreti Dias

Os textos de Conceição Bernardino não escapam à descoberta de um determinado ponto de vista, ou seja, ao inevitável pressuposto de um sujeito, já que não existe uma análise absolutamente neutra, sem indivíduo. Cada poema é uma situação de comunicação em que a subjectividade dá lugar à apresentação claramente incisiva de alguém que gira nas esferas de valores observadas e colhidas na sociedade, ciência, moral e arte, a reflexão de um acto de conhecimento da autora em contacto com o mundo real, as suas injustiças, guerras e desamores. (…)

A poesia de “Linhas incertas” tem uma força imagética que nos roça a pele e penetra a carne, uma magnitude que, poesia dentro, se faz a cada verso mais crua, mais real. A presença de predadores na esquina dos desprevenidos, dos simples e dos desprotegidos! Da passividade à actividade, o sujeito da enunciação instiga “Crentes do nada, do vazio, levantai a cruz,/que a morte cala todos os dias...” em “ Sexta-feira Santa”; as palavras oferecem-se à partilha da dor: “Sou um pedaço de carne/que atiram aos cães”, em “Retirem-me estes cadeados”.




A apresentação da obra será feita pela escritora Rosa Maria Anselmo


http://www.mosaicodepalavras.com/Home

24 de abril de 2009

O VESTIDO


As rendas roçando a carne
A arte da seda
A pele sobre a pele
Secreta
Devassa do colo.


O solo do ventre
O quente do ninho
A boca de linho
Lambendo as coxas
Os braços em pétalas.

O tule abrindo o seio
A curva da cintura
Arquitetura do segredo
O ouvido colado
Ao rumor da voz,
O veludo.

O escondido do tecido
O ardil, a trama
De um feminino capricho.
A ardência, a chama
O colorido
A dança
Do estampado
Desenho.

O pedaço da rosa
Desdenhosa,
O olhar da esfinge
Pousa
Graciosa
No arco das ancas,

Desmedidos sonhos,
O limiar do desejo,
O infinito beijo
No frescor
Do tecido.

O regaço do mundo,
O decote profundo,
A nave-mãe dos astros.
O falso-frágil
Feminino.
As frestas, fendas,
A chave- mestra,
O vestido.

13 de março de 2009

CORPO SILENCIADO




Eu preparo

As madrugadas

O leito onde me deito

E me farto

E me deleito,

Oceano de mágoas

O branco,

Lívido lençol

Das palavras

Desenhadas a dedo,

O segredo

Sangrando, aberto.

Há um deserto

Composto à ermo

No corpo silenciado.

O reflexo dos gestos

Antigos,

Cenas recortadas,

Cuidadosamente,

À navalha.

Como um corpo

De águas se desfazendo,

Como um rio vai sangrando

Mar aberto ao peito,

Como os olhos cansados

De percorrer distâncias

E as mãos se fartam

Das ausências,

Pede prá dormir...

1 de março de 2009

O ALVO DA PALAVRA















Pulsando em céu da boca feito fera
Num verso, um maldizer que não se fala
Segredo, um bem-querer que não se cala
Um fado, uma cantiga da Severa.

Palavra, a cor da letra, de repente,
Semente a reviver dentro da planta.
A fonte e o alimento e a fome tanta
Que acende o coração, perturba a mente.

Papéis, rotas do mar, a flor de sal
No mel o seu disfarce em grande mal
Escreve a ânsia, um céu que não se alcança.

Disfarça o gosto amargo em outra festa
Destila a poesia que me resta
Aponta a sua seta, então me lança.

6 de fevereiro de 2009

A CASA DO SENHOR DAS ÁGUAS



Não apresso a despedida,

Não apresso o rio,

Cultivo esse nó

Que se desata, eterno,

Lento.

Lentamente cavalgando as luas

Delírio de astronauta.

Coisas, gestos mínimos,

Canto da boca,

De onde recolho gota- a- gota

O sumo, a essência.

Isso que não é lunar

E por ser movediço

E denso,

Também não é terreno.

É onda

Quando se alevanta

Arrebatando voraz

A fauna,

A flora,

A vida marinha,

E se arrebenta praia

E se aquieta

Do seu próprio furor

Se se alimenta,

Argonauta.

Domínios do mar,

Onde resido.

Onde a maresia

Chicoteia o vento

E lambe meus pés de areia,

Passageiros.

Isso de que falo

Me arrebata,

Avassala.

Se estende desmedido

Entre os mapas,

As omoplatas,

E faz do ventre

Um ninho de gaivotas.

Isso de que falo

É marulhoso, infinito,

Tenso.

E eu não desejo

Escapar da sua casa

Senhor das águas,

Mar esplêndido



Sandra Fonseca

O ABRAÇO DA NOITE



A noite é um negro olhar e se avizinha

Perscruta com prazer minha agonia

Perdeu seu toque azul, a fantasia

Apressa-se em saber que estou sozinha


Furtiva, sem que eu saiba, me enlaça,

Seus braços como aço em meu redor

Derrama em minha boca a sua dor

A noite é caçadora e eu sou a caça


Eu fujo, piso estrelas, distraída

Quero sair de onde não há saída

E o frio corta os ares como espada


A minha alma se enche de esperança

Eu guardo com ternura uma lembrança

De um sol dourado em plena madrugada


Sandra Fonseca

1 de fevereiro de 2009

GÓTICA



Se a faca

De repente se cravasse toda

Estremecendo a carne

Num estertor de ave

Abatida em vôo.

Se a vida não fosse

Essa flor ferida,

Pressupondo dor,

Fadiga,

Ardor de língua.

Um tempo inócuo

Se desenharia

No meu olho.

Um tempo cínico,

De desejos brancos.

Mas,

Eu não mais seria

Andarilha madrugada.

As pernas medidas

Em coturnos

E o vestido negro

Arrastando tules.

Gótica,

Plúmblea,

Imitando a vida.

Se ela não fosse

Descarada e ávida,

Fêmea,

Faminta,

Eu não acharia a graça,

Absurda,

Mítica,

A palavra estranha,

O grito possante,

Pulsante,

Poesia ।



Sandra Fonseca




BLOG DE OURO



Obrigada à Conceição Bernadino (http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/) E Magda (http://stoneartportugal.blogspot.com/) por esse prêmio.Prêmio de mulher para mulher que repasso aos seguintes blogues:


http://impulsosdalma.blogspot.com/
http://www.gpoetica.blogspot.com/
http://prosas-e-versos.blogspot.com/
http://noitedemel.blogs.sapo.pt/
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/
http://alinguagemdocaos.blogspot.com/

Para compartilhar...

11 de janeiro de 2009

A DONA DOIDA





A DONA DOIDA


Tenho é fome de alegria
Daquela escrita leve,
De uma poesia que me leve
Em suas asas.

Milênios de vontades
E de desejos insatisfeitos,
Na boca enorme do meu ventre
Em sua dança.

No compromisso de escrever,
Essa sina estranha,
Me recompor de letras
Viradas tantas vezes pelo avesso,
Em seu desenho.

Abandono as torres de um castelo
Imaginário,
Corro às tontas,
Só me dou conta de mim,
Em uma Adélia,
” A dona doida”.

PRÊMIO DARDOS





Este é o primeiro prêmio recebido pelo meu blog. Agradeço ao amigo "Outono" do blog: www.pretexto-classico.blogspot.com pelo respeito e generosidade com minha poesia, especialmente por compartilhar.
Muito obrigada!

“Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogger, emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”


Este prémio obedece a algumas regras:

1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação;
3) Escolher outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos.
Faço as minhas indicações entre muitos blog's que aprecio:

www.amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

www.celtiberio.blogspot.com

www.o-ente-do-ser.blogspot.com

www.marsonhos.blogspot.com

www.noitedemel.blogs.sapo.pt

www.nimbypolis.blogspot.com

www.osinodaaldeia.blogspot.com

www.prosas-e-versos.blogspot.com

www.stoneartportugal.blogspot.com

4 de janeiro de 2009

A MINHA ALMA PENSA QUE SOU TRISTE




Pensa que sou triste,
A minha alma.
Acredita até quando
O meu corpo
Explode em risos,
Minha alma pensa
Que sou santa.
E mesmo quando
O meu gesto
É lúdico,
Dança uterina,
Ela pensa
Que sou mansa.
Mesmo quando
Sob o rio lento
Das minhas palavras,
Reina absoluta,
A lava,
Incandescência.
Ela pensa
Que sou calma,
A minha alma pensa
Que sou boa.
Não sabe ela
Que, louca,
Eu deslizo na ponta
Da navalha,
O meu vestido
Bordado de esperança,
E tenho delírios,
Alucinados vôos.
A minha alma pensa
Que sou triste,
A minha alma.

31 de dezembro de 2008

TRATO COM A VIDA






Não serei
Presa das ilusões,
Passageiras,
Eternizando os desencantos,
Antes,
Farei do pranto
Canção
De embalar os novos ventos,
E anunciar um novo canto,
Disperso, ainda que
Longínquo, e no entanto,
Ainda meu.

Não deixarei
A angústia chegar aos olhos
E se derramar
Logrando vitória
Embaçando os sorrisos,
Antes, terei sempre
Um brilho de estrelas,
Um conto de luar,
Espreitando nalgum canto
Do olhar.

Em nada
Serei metade,
E que seja só por vaidade,
De sonhos tortos,
Frutos de um tanto
De loucura,
Serei inteira,
E antes,
Que me alcance
O futuro
E o futuro medo,
Prometo,
A mim mesmo,
Chegar cedo,
Junto com o primeiro raio de sol.

Embarcar todo dia
Nalgum balão,
Pintar das cores da poesia
A estrada dura que se erguer
À frente,
Sintonizada a alma,
À mente,
E bem plantados
Os pés no chão.

Sandra Fonseca


FELIZ ANO NOVO!

15 de dezembro de 2008

PÁSSARO






E assim
Que partias de mim
Eu te fazia mito.
O que do amor
Não revelaste
O que de mim
Foi se partindo,
O que de ti
Me aprisionaste.

Sem me tocar
Tateando abraços
E sem te encontrar
Me enredando aos poucos.
Tocando em mim
O sonho do teu braço
E o corpo
Que já era meu
Se desfazendo.

E em dedos
Tontos
Desenhando voos,
Fui contornando
Leve,
O dorso, as asas,
Te erguendo ao alto
como um semideus.
E num repente
Se desfez do laço,
Alçou um branco
E derradeiro adeus.

Sandra Fonseca

LANÇAMENTO DE LIVRO: LUSO-POEMAS 2008



Sob a chancela da Edium Editores foi lançado o livro “Antologia Luso-Poemas 2008”, uma compilação de diversos textos de vários autores, dentre os quais tenho a honra de fazer parte.

Lista de Poetas da Antologia da Luso-poemas 2008:



Alemtagus
Betha M Costa
Carla Costeira
Carlos Carpinteiro
Carlos Said
Carolina
Cleo
Conceição B
Daniela Pereira
Expanta
Flávio Silver
Fly
freudnãomorreu
Gilberto
Godi
Goretidias
Henrique Pedro
João Filipe Ferreira
João Videira Santos
José Torres
Júlio Saraiva
Karla Bardanza
Le Tab
Ledalge
Luís Ferreira
Margarete
Maria Sousa
Mel de Carvalho
Noite
Paulo Afonso Ramos
Pedra filosofal
Rosa Maria Anselmo
Sandra Fonseca
Tália
TrabisdeMenta
Tytta
Valdevinoxis
Vera Carvalho
Vera Silva


Vejam mais informações em

http://www.luso-poemas.net/modules/sm ... ction/
item.php?itemid=371

22 de novembro de 2008

BRICOLAGE





Desenho poemas
Ao pé dos altares abismais
Corro perigo
Despedaço-me,
Caio de alturas,
Só pelo gosto
Da dança das palavras
Bailando aves.

Refaço um piso
De pedras preciosas,
As promessas,
O cristal de luz
Que brilha,
Água,
Aquarela,
Se desfazendo,
Em líquidas mensagens.

E libertário,
Se esvai,
Meu pássaro,
Plumagem rara
De sentimentos que guardei.

Um mar que mora em mim.
Refaço um azul
Um sonho de anil,
Uma pluma,
Mancha de céu,
Gaivota.

Engenharia de barcos,
Posto a navegar
Um coração à boca.
Um corpo em chamas
A navegar,
Imagens recortadas
No horizonte.

Sou herdeira
Das palavras navegantes
Arca de “recuerdos”,
Meu mar distante,
De quilhas sem roteiros,
Meu corpo
É um barco marinheiro
Repleto de sonhos.

Sandra Fonseca