30 de julho de 2012
FLORES DE INVERNO
22 de abril de 2012
ESSA PEDRA
21 de fevereiro de 2012
TRAÇOS

Querer o mar ao largo do poente
Um barco a navegar, aberto o pano
Entre os azuis do céu e do oceano
E o vento a sussurrar dentro da mente.
São asas de gaivota na arrancada
Quando se elevam aos céus em mudo espanto
São patas de um corcel na atropelada
E as notas irisadas de um canto.
E o vento , o céu e o mar, a geografia
Desenham em meu papel, muda grafia
A letra da ilusão que eu mesma traço.
A vida é um poema comovido
Palavra por palavra em meu ouvido
E a ânsia de voar me aperta o passo.
Sandra Fonseca
22 de julho de 2011
POR AMOR À PALAVRA

Antecâmara
Da palavra
Estou na véspera
Desse verso vago
Que me invade
Sem ter pressa.
Num labirinto
Sem saída
Persegue-me.
Estou no segundo
Antes
Da palavra,
Estou no prenúncio
Desse grito
Que me grita
Inteira
E pelo meio
Me devora
Numa solicitude calma.
Estou no pretérito
No ontem
Da palavra.
Estou no âmago
Dessa palavra que me ama
De um amor sem saída
Que se vive, fere
A minha liberdade.
A palavra me ama
Com ganas
De morte.
Sandra Fonseca In: A solidão das mulheres poetas
Imagem: internet
19 de junho de 2011
FENÔMENO

Que voz, que vento
Maresia, pensamento
Que mesmo é isso
Encanto
Mão de ferro na garganta
Brilho de cristal
Na escuridão.
Que pedra rara
Lâmina que roça o pulso
O pulo do gato
Língua de trapo.
Revolve o fundo
A s entranhas, a carne
O sopro no cabelo
Da memória distante
O dolorido desse instante
Um portento, um gigante
Avassalador encanto
Um verso arde
No canto do olho
Sandra Fonseca
*Imagem da internet
15 de maio de 2011
MENINA SEM OLHOS
No espaço entre as palavras
Faço um barco
Um infinito de plumas
E asas azuis
Esse meu mar de ilusão.
Fundo um reino
Feito todo de ar
E luz
E poesia
E nem mesmo sei
Que matéria a inventa
Que rara estrela acende
Tochas e aves como braços
De sol.
Onde há silêncios
Cortando como facas
Sobre o altar de um abismo
Uma menina sem olhos
Canta.
A sua alma é toda
Feita de ouvidos
E harpas.
Aos poucos despe
Suas carnes parcas
De barro e água.
Montes de braços
Traços e asas
Na voragem
Inenarrável
Da vertigem.
